terça-feira, 3 de março de 2015

A VIDA DO BUDA E O CAMINHO



VEN. PUHULWELLE VIPASSI  

A VIDA DO BUDA E O CAMINHO 






* Homenagem ao Buddha - (Namo Buddhaya) 
Namo Tassa Bhagawato Arahato Sammã Sambuddhassa 
Homenagem a Ele, o Abençoado, o Perfeito, o Supremo Iluminado


(PARTE DA EDIÇÃO DESSE LIVRO FOI PAGA POR R.S. SEM O VEN. SABER)



PREFÁCIO - CAPÍTULO I

PREFÁCIO DO VEN. VIPASSI
  
  
  


     Este livro é um esforço para, em linhas gerais, descrever a vida do Buddha e Seus Ensinamentos em Português. A falta de livros sobre o Dhamma budista é um grande obstáculo para o budista de origem brasileira e portuguesa. Então, de modo a resolver este fato, decidi desenvolver um livro como este, para dar ao leitor ou ao estudante de budismo, ou ainda, para o praticante budista, um conhecimento geral dos ensinamentos fundamentais nos quais a Doutrina do Buddha se centra e se focaliza. 
Este livreto não cobre completamente a vida e os Ensinamentos do Buddha. O conteúdo deste livreto está organizado de modo a dar ao leitor um conhecimento inicial da Doutrina e Ensinamentos do Buddha, a fim de promover a correta compreensão, treinando-o em diferentes níveis. 

Enfatizo que todo estudante de Budismo deve adquirir mais conhecimento da vida do Buddha e Seus Ensinamen- tos, publicados por várias sociedades internacionais. A maioria dos livros versando sobre todos os aspectos do Budismo se encontram publicados em Inglês. 

Os exercícios de meditação contidos neste livro serão proveitosos como um guia para todos os que desejam desenvolver a meditação budista. 

Minhas recentes experiências no Brasil trouxeram-me a oportunidade de produzir um trabalho corno este sobre a vida do Buddha e Seus Ensinamentos, para satisfazer o crescente interesse pelo Budismo no Brasil. 

Além da história da vida do Buddha, este trabalho mostrará ao leitor como o Buddha, durante seus quarenta e cinco anos de pregação, discutiu vários problemas relativos a todos os aspectos da vida social, econômica, ética, psicológica e moral. 

Na tarefa de compilar este trabalho, traduzindo-o para o Português, reconheço com carinho e gratidão a dedicação de Carlos Lessa, Lino Guedes Pires, Zomar Pontes Ramos e Helena Ramos, Michel Mujjali, Vanessa Medeiros, Jorge Abrahim Medina e Leonor M. Salz, e a todos os membros e colaboradores da Sociedade Budista do Brasil. 

Particularmente agradeço à  Domitila Correa Madureira pela preparação e datilografia do manuscrito. 

Com gratidão, mais algumas palavras com relação a este fruto do Dhamma. 

Quando se começa a ler, podemos perceber nestes Ensinamentos do Buddha genuína ajuda para servir a todos os seres vivos através do Amor Universal, Compaixão, simpatia, alegria e equanimidade, na Nobre Senda Óctupla, até se alcançar a suprema felicidade. 
  

Que todos os seres possam se libertar de todo o sofrimento, 
serem felizes, pacíficos e alcançar o Nibbana.

  
  
  

 CAPÍTULO I
  
  
  
  
  


   O Príncipe Siddhattha Gotama nasceu de família real, cujo pai era o Rei Suddhodana, um governante justo e gentil, muito amado e respeitado pelo povo do reino do Sakyas. A mãe do Príncipe Siddhattha era tão bela quanto uma flor de lótus e o povo a chamava de "Rainha da beleza". Kapilavatthu, a capital do reino dos Sakyas, situava-se próxima à cordilheira dos Himálayas, ao norte da índia. A cidade de Kapilavatthu era, pois, um belo lugar. 
Certa ocasião, houve um grande festival na cidade. As pessoas aglomeravam-se para participar. A rainha Mahamaya também participou do festival por seis dias. O sétimo dia de lua cheia e, neste dia, a rainha distribuiu alimentos e outros gêneros às pessoas reunidas na cidade. Ela, desta forma, observou o Uposatha (1) e, ao final do dia, retirou-se para seu quarto real e dormiu. Nesta noite ela teve um sonho, no qual quatro Devas (2) levantaram sua cama e a transportaram em direção dos Himálayas. Ela foi mantida sob uma grande e frondosa árvore, após o que quatro devas femininas banharam-na num dos lagos das montanhas. Em seguida, derramaram flores sobre a rainha. Ela podia ver ao longe uma casa dourada no topo de uma colina. Bem perto havia um leito esplêndido para a rainha descansar. A rainha permaneceu nele, repousando, quando percebeu um elefante branco vindo em sua direção. Ele aproximou-se da rainha, arrancando um lótus branco no caminho com sua tromba, e entrou na casa onde a rainha repousava. A rainha teve o pressentimento de que este elefante anunciava um filho. Na manhã seguinte, ela contou o sonho ao rei, que ordenou que a côrte e os conselheiros se reunissem para avaliar o sonho. 

Os brâmanes presentes na assembléia real disseram: " Grande Rei, vossa Majestade terá um filho! Este Príncipe, se preferir levar a vida doméstica, será um grande Rei (Monarca Universal); mas se preferir renunciar ao mundo, Ele se tomará o Buddha, para salvar o mundo dos sofrimentos". Pouco tempo depois, a rainha desejou visitar a cidade Devadaha, capital do reino dos Kolyias, onde moravam seus parentes. O Rei Suddhodana enviou trabalhadores para limpar o caminho que levava até a cidade de Devadaha. A rainha foi levada num palanquim dourado, carregada por muitos homens. 

Entre as duas cidades, havia um belo jardim chamado Lumbini. Quando o grupo chegou à Lumbini. era a estação das flores, época em que o jardim estava repleto de perfumadas flores; diversos pássaros povoavam os galhos das árvores e as abelhas sugavam o néctar das flores, e as fragrâncias eram carregadas pelo vento. Sentindo as contrações do parto, a rainha encontrou neste jardim uma bela árvore, e descansou. Foi um momento agradável e pleno de felicidade. O céu estava vividamente claro e azul. Então uma chuva de flores começou a cair do céu. Naquele exato momento, o futuro Buddha nasceu. Normalmente, quando uma criança nasce, ela começa a chorar, de forma que as parteiras tomam a criança no colo e a confortam. Porém, o nascimento do infante Príncipe Siddhattha ocorreu na presença dos devas, e Ele podia facilmente falar e andar. Seu nascimento foi um verdadeiro milagre. As parteiras puseram o príncipe no chão e Ele deu alguns passos, falando em tom retumbante: "Serei o senhor do mundo". Deuses, homens e outros seres, reunidos no Jardim de Lumbini, entre Kapilavatthu e Devadaha, adoraram a glória do futuro Buddha e Seu Nome (3).

  
  
  
  

CAPÍTULOS II - IV

CAPÍTULO II
  
  
  
  
  


    O nascimento do Príncipe alegrou aos membros da família real. Seus pais estavam particularmente felizes, e deram-lhe o nome de Siddhattha (Aquele que realizou os desejos). Uma grande multidão se dirigia ao palácio, assim como brâmanes cultos e homens sábios também, a fim de explicar aos reis as coisas maravilhosas que aconteceram quando o Príncipe nasceu. Eles examinaram o corpo do bebê, encontrando muitas marcas. Eles descobriram 32 sinais sagrados e, pouco depois, anunciaram que estes sinais especiais indicavam um ser extraordinário. Eles também predisseram que aquele bebê um dia se tornaria um Buddha. 
Naquela época, havia um homem santo que morava perto do palácio real, chamado Kaladevala Asita. Ele percebeu que todos estavam muito felizes. Não somente o povo do reino, mas também os deuses no céu. Indagando aos deuses qual era a razão de tanta alegria, obteve a resposta que uma belíssima e afortunada criança havia nascido para o Rei Sudhodana, e que um dia ensinaria a Verdade a todos os homens. Asita se apressou a ir até o palácio real para ver a criança. O Príncipe, trajando as melhores roupas, foi trazido à presença de Asita, para honrar o santo homem, que era respeitado e honrado pelo rei. A criança foi trazida e um fato estranho aconteceu: os pés do Príncipe viraram e tocaram a cabeça de Asita. Isto, porque o Buddha era o mais santo dos homens e todos deveriam honrá-Lo como um ser superior. O Rei Sudhodana observou e ajoelhou-se para adorar seu filho. 

Sete dias após o nascimento, a rainha falece e renasce no céu de Tusita. A irmã da rainha, a princesa Prajapati, cuidou e tutelou o Bebê-príncipe como se fosse seu próprio filho. O Príncipe cresceu feliz sob os cuidados de sua tia Mahaprajapati Gotami, seu nome completo. Enquanto isso, o Rei Sudhodana fazia os preparativos desejando que seu filho também se tomasse um grande Rei. Ele não desejava que seu filho renunciasse ao mundo. Ele tudo fez para que a criança crescesse feliz. Palácios, jardins e parques foram construidos, e a criança tinha muitos brinquedos. O Príncipe não conhecia a doença e o sofrimento. Quando jovem, gozou a vida amplamente, como um Príncipe. Mas, á medida que envelhecia, Ele se tomava quieto e profundo, em pensamento, estendendo Seu amor a todas as criaturas. 

Certo dia, Ele foi andar no jardim, onde muitos pássaros viviam. Enquanto estava ali sentado, viu um cisne branco voando no céu. Um primo Seu, Devadatta, que também se encontrava no jardim, viu o cisne e apontou uma flecha para abater o pássaro. A flecha atingiu a asa do cisne e ele caiu. O Príncipe Siddhattha pegou a ave, e arrancou dela a flecha, cuidando da ave. Devadatta disse ao Príncipe Siddhattha que o cisne pertencia-lhe, já que o tinha abatido. Mas Siddhattha respondeu que se o cisne morresse, então seria de Devadatta. E Ele, porém, havia salvado a ave, e dizendo: "portanto ela é minha. Qualquer um pode matar os pássaros, mas ninguém quer tratá-los bem". Então, Ele soltou a ave no céu. O Buddha estendia Seu Amor e Compaixão a todos os seres. Assim, Ele foi amado e honrado por todos. 

O Príncipe recebia educação do professor mais sábio do reino, mas o professor entendeu que seu aluno era mais sábio do que ele mesmo, de forma que chegou a um ponto que não tinha mais nada que Lhe ensinar. Seu conhecimento crescia, a um alto nível, dia após dia.

  
  
  
  

 CAPÍTULO III
  
  
  
  


    Era costume do Rei patrocinar muitos festivais. Entre eles, o festival da semeadura era o mais importante, quando todos os habitantes vestiam seus trajes mais bonitos. Todas as casas tinham flores na sacada. Todos se alegravam em participar do festival real da semeadura, e o Rei promovia a festa a fim de fomentar a produção de arroz, legumes, etc. 
Naquela vez, ele desejou levar seu filho o local onde aravam. Foi preparado um confortável lugar, sob uma macieira, para o Príncipe e Suas diversas babás. O evento começou com a participação do Rei e seus dignatários. Havia muito para ver e muito do que comer naquela ocasião. As babás esqueceram-se do Príncipe, enquanto assistiam ao festival. Enquanto isso, o Príncipe, só, tornou-se absorto em profunda meditação. As sombras mudavam de posição, mas a sombra da árvore sob a qual Siddhattha estava sentado não sofria mudança. 
Após algum tempo, as babás lembraram-se do Príncipe, deixado sozinho sob aquela árvore. Quando elas retornaram apressadas, viram o acontecido e relataram ao Rei. Todos pararam o que faziam e correram para ver o acontecimento milagroso. O Rei reparou na diferença entre as sombras das outras árvores e daquela sob a qual o Príncipe sentava. O Rei, maravilhado, pela segunda vez saudou honrosamente seu filho e disse: "Filho querido, esta é minha segunda saudação!". O Rei curvou profunda e respeitosamente sua cabeça, saudando seu próprio filho.

  
  
  
  

 CAPÍTULO IV
  
  
  
  


    O Príncipe Siddhattha completara 16 anos. Como era costume, seu pai, o Rei Suddhodana, desejava encontrar para Ele uma noiva apropriada. Assim, enviou mensagens a todos os seus parentes e amigos da nobreza, para que trouxessem suas filhas ao palácio. 
O Rei tinha esperança que o Príncipe escolhesse alguma dentre as mulheres para esposa (4). Os nobres tinham a impressão de que o Príncipe era demasiadamente jovem e fraco, e não se interessaria por nenhuma delas. "Ele não sabe como lutar ou usar da espada, nem como disparar uma flecha. Ele não conhece a arte da guerra. everia ser capaz de defender o país em caso de guerra", assim pensavam. 
O Príncipe sabia o que os nobres pensavam a seu respeito. Pediu então a Seu pai para que convidasse os nobres, inclusive os melhores arqueiros, para uma festa de competição. No dia da festa, os arqueiros não foram capazes de atirar como o Príncipe, que superou a todos nas competições. Ao final dos exercícios de guerra, o Príncipe respondeu a todas as perguntas levantadas pelos sábios, após o que, Ele mesmo propôs questões aos sábios reunidos no palácio. Nenhum soube responder. Tendo observado o que acontecia, os nobres estavam maravilhados. 

O Príncipe escolhera então a bela Princesa Yasodhara, filha dos Rei dos Kolyias, de um reino próximo, e que estava presente na festa. Bem após o casamento, o Príncipe e a Princesa tiveram um filho, que chamaram de Rahula. O Rei Suddhodana estava muito feliz com a vida caseira e alegre dos dois príncipes. Estava convencido agora que seu filho Siddhattha havia esquecido da profecia de nascimento e que não renunciaria mais ao mundo para tomar-se um Buddha.

  
  
  
  

CAPÍTULO V

CAPÍTULO V
  
  
  
  


    O Príncipe Siddhatta tinha um forte desejo de sair dos limites do palácio e conhecer o verdadeiro modo de vida de seu povo. Seu pai, o Rei, providenciou-lhe uma carruagem puxada pelos cavalos reais. Por onde quer que passasse, via somente fachadas enfeitadas e vistas prazerosas, pois tudo no reino havia sido decorado, limpo e perfumado por ordem do Rei. Tudo era de encher os olhos, até as roupas das pessoas. A carruagem era dirigida pelo seu atendente pessoal dileto, Channa, e, ao passarem pelas ruas, eles viram um homem idoso, um homem doente, uma pessoa morta e um asceta, à despeito dos arranjos do rei. Vendo o homem idoso, o Príncipe ficou muito triste, perguntando-se porque ele era tão fraco e encurvado. Tinha a face pálida e enrugada. O Príncipe inquiriu a Channa, e este explicou que a beleza e a saúde do homem se haviam extinguido, e que agora era um homem de idade: não tinha a força e o ânimo de um jovem. 
O Rei Suddhodana criou o Príncipe mantendo-o confinado nos palácios tendo raríssimos contatos com o mundo externo. Dada a proteção exagerada, Sua primeira experiência fora dos muros do palácio foi notável, e o que viu durante aquele passeio marcou-O de forma indelével. Todos os prazeres do palácio não tinham mais graça diante do que havia presenciado! Decidiu sair mais vezes... 

Outra vez, Ele e Channa saem do palácio, e não demorou muito para que Ele visse uma pessoa doente, com severas dores no corpo, Siddhattha custou a crer que uma pessoa pudesse sofrer tanto. Na primeira saída, Ele ficara pesaroso por causa do homem idoso. Seu pesar aumentou devido à visão da pessoa doente. "Ele era forte e tinha saúde. Agora a doença tomou conta de seu corpo. Nós também estamos sujeitos às mesmas condições", explicou Channa. O Príncipe ficou muito entristecido e pediu a Channa para retomar depressa para o palácio. 

Noutra vez, Ele ficou chocado com a visão de um corpo morto, carregado por quatro pessoas. Era a primeira vez que via um cadáver. Ele pensou em como a vida é ameaçada pela morte e questionou Channa: "Como ele está morto?". Channa explicou: "O corpo não tem mais consciência. Ele não pode mais falar ou andar. Quando um corpo está sem vida, é dito morto. Ele tinha vida como nós até que morreu. Era feliz e ativo enquanto vivo. Seus parentes e amigos choram agora, carregam coroas de flores a fim de honrar sua memória". 

O Príncipe então percebeu por fim como é a vida neste mundo, com todas as suas características. Desta forma, Ele apreendeu um mundo cheio de sofrimento. Pessoas nascem e estão sujeitas ao envelhecimento, decadência, doença e morte. Por isto, Ele foi motivado a encontrar a verdadeira essência da vida, ao mesmo tempo que se conscientizava de que a Compaixão e a Sabedoria são coisas tangíveis e verdadeiras. Por fim, Ele tomou a firme decisão de acabar com o sofrimento e trazer felicidade a todos os seres do mundo. 

Passou noites sem sono, relembrando tudo o que vira nos passeios. Por sorte, o Príncipe havia se entusiasmado com a figura calma do asceta errante, que igualmente vira. Esta lembrança trouxe tranqüilidade à Sua mente. Decidiu ir ter com o asceta para conversar. O asceta estava passando os dias sob a árvore jambu. O Príncipe discutiu tudo o que vira com os asceta, calmamente. Influenciado pela figura do asceta, pensou que uma paz duradoura estava disponível para aquele que se tomasse asceta, e renunciasse ao mundo (5). Decidiu tomar-se asceta, a fim de encontrar um caminho que levasse à cessação do sofrimento. Resolveu deixar para trás reino, esposa filho, pai, companheiros, dignatários e outros membros da corte, para descobrir a Verdade por Si mesmo. Ele sabia que Seu pai havia feito sempre tudo para afastá-Lo das dificuldades da vida, e que era contrário a Sua nova decisão. Teria que partir escondido. 

Assim, Ele resolveu partir na mesma noite de Sua decisão, e decidiu que não retomaria ao palácio sem antes haver descoberto as respostas, e houvesse descoberto o caminho para uma paz duradoura. Fez isto, porque no palácio não poderia jamais se dedicar ao Seu intento. Pediu a Channa para selar Seu cavalo favorito, Kanthaka, preparando-se para esta longa jornada que se descortinava ante Sua Vida. Sairia nas primeiras horas da manhã. O Príncipe não esqueceu de olhar Seu pequeno filho recém-nascido, e a Princesa Yasodhara, que dormiam no quarto. O bebê dormia nos braços da mãe, quando Gautama entrou no quarto. Desejou beijá-la, mas assim acordaria a ambos. Permaneceu em silêncio por uns instantes, sentindo Seu coração pesar. O Príncipe estava agora nas escadarias do palácio, acompanhado apenas de Seu atendente Channa. Pegou Kanthaka e montou-o, dirigindo-se para os portões do palácio, que se abriram de par em par. O Príncipe e Channa cavalgaram juntos manhã a dentro, sem destino, em silente tristeza.

  
  
  

 NOTAS

  (1) -  Período de Lua Cheia. 
(2) -  Termo de origem indiana, que indica as classes de seres espirituais em geral; por "div" luz. 
(3) -  Devido à consciência altamente desenvolvida em vidas anteriores, o Bodhisatta Gotama pôde ainda por um breve momento falar e andar, mesmo em corpo de bebê, antes que as forças materiais sobrepujassem Sua consciência. 
(4) -  Um costume do oriente antigo era arranjar casamento para os filhos, sem a opinião ou desejo deles. Este costume vem perdendo força, mas ainda perdura na Índia. 
(5) -  Renúncia tem dois aspectos e é muito incompreendida. Renúncia significa não-apego, não-ligação, e não significa que se deve largar tudo. É um estado interior que se reflete exteriormente. A decisão do Buddha parece extrema para muitos, mas temos de levar em conta o ambiente histórico e social da Índia, quando era comum muitos saírem de casa para levar uma vida ascética ou religiosa. Mas Buddha sabia, e nós também, que a vida caseira tem muitos envolvimentos e toma muito tempo. Ainda mais Ele, que era um Príncipe e sucessor do trono de seu Pai. 


CAPÍTULOS VI - VIII

CAPÍTULO VI



  O Príncipe e Seu servo cavalgaram juntos até que chegaram ás margens do rio Anoma. Kanthaka pôde facilmente cruzar a correnteza. Na outra margem, o Príncipe despiu Sua roupas de nobre, cortou Seu cabelo, tirou Seus ornamentos, devolvendo tudo a Channa, juntamente com a espada real, para que fosse restituído ao palácio. Vestiu, então, um manto simples e apanhou uma cuia, para pedir alimentos. Ele andou e andou, até que chegou à cidade de Rajagaha (Rajagriha). Quando andava pelas ruas de Rajagaha, o povo considerou a nova aparição como um grande asceta que estava de visita. As pessoas vinham vê-Lo e honrá-Lo; outras trouxeram-no comida (6). 

O monarca que reinava em Rajagaha era o Rei Bimbisara. Ele viu como as pessoas estavam agitadas em torno do "asceta" na cidade. Quando o Rei O viu, Ele se encontrava sentado placidamente sob uma árvore. Ele avistou o Rei Bimbisara, olhando-o gentilmente. O Rei Bimbisara sentiu-se muito triste, porque percebeu que o "asceta" era de estirpe nobre e por isto pensou que estivesse sentindo-se desamparado e só. O Rei convidou-O para viver em seu palácio, e para ser o sucessor ao trono de Rajagaha. Gautama (ou Gotama) recusou, dizendo que agora era um asceta a procura da paz e da Verdade. "Desisti do trono real e das possessões reais em meu próprio reino, para poder liberar as pessoas do sofrimento e da infelicidade" - respondeu . Ele explicou Suas intenções ao Rei e partiu daquela cidade com o espírito repleto de determinação e boa-vontade. 

Ele encontrou-se com dois brâmanes. Alara Kalama e Uddakaramaputta, e passou  algum tempo com eles na Sua busca pela Verdade. Mas Ele aprendeu tudo que aqueles mestres tinham para ensinar; havia atingido a perfeição da concentração e do samadhi tranqüilizador. Achou que já soara a hora para continuar Sua busca, por Si mesmo. Partiu.

  
  
  
  

 CAPÍTULO VII

    O asceta Gotama alcançou a floresta de Uruvela, onde encontrou um grupo de cinco ascetas, que passavam a vida em severas práticas de auto-mortificação da came. Todos tinham o corpo franzino e comiam o mínimo, a fim de levar uma vida controlada. Esses ascetas usavam cabelos longos, e possuíam coragem e dedicação. O Príncipe decidiu, mais uma vez, associar-se praticando com eles. Comia pouquíssimo, tendo reduzido Sua alimentação a um grão de arroz por dia. Seu corpo tomou-se esquelético devido à falta de saúde e alimentação. Ficou pálido com tanta fraqueza. Ele então compreendeu que esta rígida ascese não O ajudaria a atingir a Iluminação, porque enfraquecia o corpo até a morte; "o corpo que é instrumento na busca da Verdade, deve ser por isso cuidado não como um tesouro, mas como um instrumento necessário à realização. Este corpo é de nossa responsabilidade". Por isto, Gotama desistiu de Seu jejum e foi adiante para descobrir um caminho que levasse à completa cessação do sofrimento, e não de um caminho que multiplicasse o sofrimento... Os cinco ascetas acharam que o Príncipe havia desistido por fraquejar, tendo desistido da busca para retornar à vida mundana outra vez. Assim, resolveram desprezá-Lo.

  

 CAPÍTULO VIII

   O asceta Gotama trilhou um caminho que O levou a um estado de plena concentração.  Ele já havia experimentado previamente o estado de Vacuidade (7) ou Akincaññayatana, sob a tutela de Seu primeiro instrutor, Alara Kalama. Mas o asceta Gotama estava insatisfeito com o sistema de Kalama. Deixou este mestre e associou-se a Uddakaramaputta, antes de ter encontrado os Cinco Ascetas. Com Uddakaramaputta Ele atingiu o estado de "não-percepção, nem não-percepção" (Nevasaññasaññayatana) (8). Ele não conseguia ultrapassar  estes estados. Uddakaramaputta pediu que Gotama cuidasse de Seus discípulos,  já que era inteligente e dedicado, tendo sido elevado à categoria de mestre pelo Seu instrutor. Mas Sua busca não terminara e Seu objetivo não havia sido ainda atingido. Ele procurava a cessação completa do sofrimento, e não conseguia um mestre que Lhe ensinasse (9). Todos os que encontrara estavam envolvidos em ignorância, de alguma maneira. Após todas as Suas associações, cansado, sentiu que a Verdade e a Paz devem ser buscadas dentro de nós mesmos, e que os mestres e escrituras eram apenas setas indicando o caminho.Ao encontrar os Cinco Ascetas, Ele andara quilômetros e quilômetros até alcançar um vilarejo chamado Senani, em Uruvela, no estado-reino de Magadha. Perto do vilarejo havia um lugar agradável, onde Ele e os companheiros Kondañño, Baddiya, Vappa, Mahanama e Asaji praticavam todas as formas de austeridade. 
O asceta Gotama desertou todas estas práticas, tendo experimentado todos os extremos nelas, como a auto-mortificação (Atthakilamathanuyoga) e o apego aos prazeres sensuais (Kamasukhalikanuyoga). Gotama experimentou todos os extremos numa só vida, como Príncipe e como asceta. Ele adotou um sistema ou via intermediária entre esses dois extremos mencionados acima (Majjhimapatipada) (10). Gotama compreendeu que não se pode chegar à realização com o corpo exaurido de suas forças, desta forma, passou a se alimentar suficientemente para recuperar-se da desnutrição. Os Cinco Ascetas, sentindo-se traídos por Gotama por isto, dirigiram-se para lsipatana. Gotama determinou-se firmemente a atingir Seu objefivo (estado de Buddha), e dirigiu-se para outro local em Uruvela.

  
  
  
  

CAPÍTULO IX

CAPÍTULO IX

     Seis anos se passaram, desde que Ele deixou o palácio. O asceta Gotama está agora em Uruvela, escolhendo a árvore banyan sob a qual se sentaria em meditação. Acomodou-se. Neste mesmo dia, a jovem Sujata preparava uma oferenda rotineira, de arroz com leite, para a divindade das árvores banyans. Diariamente ela oferecia à divindade da árvore banyan, um prato de arroz cozido no leite, pedindo um filho homem. Nesta manhã, Sujata foi ordenhar as vacas e o leite jorrou antes mesmo que ela tocasse nas tetas, coisa nunca antes observada. Levou o leite para casa, cozinhando a oferenda como sempre fazia. O leite borbulhava, mas não transbordava. Com todos estes sinais, ela ordenou a sua serva, Punna, para ir até as árvores Nuga (banyans), para ver se estava acontecendo algo. Punna viu lá a figura do asceta Gotama, sentado plácida e meditativamente sob a árvore, imponente como um deus, e ela pensou que Ele fosse a divindade da árvore. Ela voltou correndo para relatar tudo à  patroa. Sujata e Punna foram correndo até a árvore, levando a oferenda de arroz com leite, para ser oferecida à santa figura sentada sob a árvore. O arroz com leite oferecido por Sujata foi aceito por Gotama, que comeu uma parte e guardou a outra sob a forma de bolas, de forma a ficar um longo período sem precisar procurar comida. Estava disposto a meditar até que compreendesse a Verdade, nem que para isto tivesse que morrer. 
Procurou uma outra árvore para meditar que, mais tarde, devido à Sua Iluminação, viria a ser chamada de árvore Bodhi (figueira Ficus Religiosa). Todos os devas e outros seres estavam jubilosos quando Ele sentou-se para obter a mais alta Sabedoria (11). O Bodhisatta (aspirante a Buddha) está agora no caminho para a sublimação das três principais causas do sofrimento, que são desejos, apego e ignorância. Ele compreendeu que estes estados fazem a vida de uma pessoa ficar miserável e infeliz. No momento de Sua Iluminação, Ele teve que lutar com todas as forças negativas em Si mesmo, personificadas pelo demônio Mara e suas hostes. 
As forças negativas de Mara apareceram em visão a Gotama e tentaram-No com as coisas mais belas e sensuais, tentando afastá-Lo de seu intento. Foi uma verdadeira batalha, com raios, trovoadas e terremotos (12). Mas tudo se dissipou, e o Senhor permanecia sentado, calmamente. Mara e seus exércitos desaparecem. Deuses se materializaram no local, dizendo que nenhum mal pode desviar a vida de um Bodhisatta, e derramaram flores  a Seus pés. O Buddha, agora não mais o asceta Gotama, permanecia em meditação profunda, compreendendo as misérias do mundo. Quando se faz o mal nesta vida, sofre-se nesta e na próxima. As pessoas tem muitos desejos arraigados na ignorância e ilusão, que trazem a dor, o renascimento, a decadência e a morte. Ele identificou o egocentrismo como a cola que une os desejos ao sofrimento. 

O Buddha, sentado sob a árvore Bodhi, em Bodh Gaya, passou dias em três observâncias. Primeiramente, Ele desenvolveu o conhecimento supranormal, capacitando-O lembrar-se de vidas passadas (pubbenivasanussutiñanna). Depois, Ele desenvolveu a clarividência, que O capacitou a descobrir o caminho da cessação das paixões, e a ver a morte e o renascimento dos seres (cutupapratañanna). Finalmente, Ele compreendeu as coisas como elas realmente são. Ele atingiu a Perfeita Iluminação, na noite de Lua Cheia do mês de Wesak (por volta de Maio), no 6° século a.C., na idade de 35 anos. Foi, portanto, o primeiro instrutor religioso de nossa história conhecida. Ele ensinou ao mundo que aquele que aspira à mais alta realização vem a encontrá-la, se houver esforço e determinação adequados. 

Ele descobriu as Quatro Nobres Verdades no momento de Sua Iluminação (13). Estas Quatro Verdades são comuns a todas as pessoas e seres. Ele descobriu que a existência é permeada por sofrimentos desde o início da vida. Toda criança chora e se sente desconfortável logo ao nascer. Elas crescem com muitos sofrimentos. A morte é para muitos dolorosa. Então todos se perguntam para onde vão após a morte. Nós sofremos também porque temos uma quantidade enorme de desejos (calcados na  ignorância). Tudo começa em nós mesmos, com sentimentos egoístas. Esses sentimentos egoístas criam um estado que produzem o  sofrer. Mas há um fim para todo sofrer - já que tudo que tem um início, também tem um fim. Assim, não desejamos mais sofrer e, ao final, lograremos uma completa felicidade, sem dor. A Quarta Nobre Verdade é muito útil para se levar uma vida feliz e significativa. É um caminho que leva à cessação da dor. Esta Verdade se desdobra em Oito Fatores (14): Compreensão, Pensamento. Palavra, Ação, Meio de Vida, Esforço, Atenção e Concentração - Corretas ou Plenas. 

O Caminho Óctuplo ensina um método útil para treinar-nos no Bem. Só assim poderemos apreender o Bem, e sermos plenos de pensamentos de Amor. O objetivo principal deste sistema é apreender o Dhamma ( Doutrina ) , chegar à liberação, propagar a Doutrina e a confiança nas Três Jóias ( Buddha, Dhamma, Sangha). Por fim, o praticante da Nobre Senda será abençoado com a compreensão advinda da prática.

  
  
  

CAPÍTULOS X - XI


 CAPÍTULO X

   A vida do Buddha, após alcançar a Iluminação, era Paz e Felicidade perfeitas. Sua vida como Buddha começou sob a árvore da Iluminação, em Bodh Gaya. Para marcar este lugar histórico, existe um mosteiro perto da árvore Bodhi, construído pelo Rei Asoka, no século 3 a.C., que permanece até hoje de pé, imponente. 
O Buddha não comeu por quarenta e nove dias. O arroz com leite foi suficiente para Ele passar sete semanas sob aquela árvore. Ele teve a sorte de receber refeição semelhante quando finalizou o jejum de quarenta e nove dias. Nesta altura, dois mercadores, Tapassu e Bhalluka, vinham na direção do Buddha, e O viram. Pensaram que tratava-se de um homem extraordinário, devido à Sua aparência luminosa e santa. Os dois homens não podiam passar sem oferecer ao Buddha bolo de arroz e de mel, que haviam preparado para a viagem que faziam. O Buddha aceitou-a. Tendo comido Sua primeira refeição, Ele pregou com Compaixão para os dois mercadores irmãos. Eles entenderam os Ensinamentos, e tornam-se os primeiros discípulos de Buddha. Logo de início, o Abençoado relutou em ensinar o que havia descoberto. Então, Sahampati Brahmaraja ( o Deus Brahma ) pediu ao Sublime para que pregasse o Dhamma (15). 
De início Ele pensou em pregar para Seus instrutores, porém, viu logo que eles já haviam falecido. Ele então decidiu reencontrar os Cinco Ascetas, companheiros de Uruvela. Com Sua Visão, soube que os Cinco Ascetas se encontravam no Parque das Gazelas, em Isipatana, perto de Benares (Varanasi hoje), e Ele então dirigiu-se para lá. Foi neste parque que Buddha enunciou pela primeira vez as Quatro Nobres Verdades, cujo sermão ficou famoso como "Girando a Roda da Lei" (em oposição à Roda da Vida). O Buddha foi ao encontro dos Cinco Ascetas, para transmitir-lhes Sua descoberta. Os Ascetas viram o Buddha aproximando-se ao longe e combinaram desprezá-Lo. O Buddha chegou até eles enquanto confabulavam e, pela Sua Figura e Presença, eles não puderam agir conforme o combinado. De repente, eles se levantaram e fizeram uma reverência. Quando O chamaram por Gotama, Ele lhes disse que agora era o Budha; Gotama estava morto. Neste calmo e tranqüilo entardecer, Ele proferiu Seu primeiro sermão, girando a Roda da Lei para os Cinco Ascetas. Os seis, no Parque das Gazelas, estavam acompanhados de muitos animais e Devas. Kondañño foi o primeiro afortunado a alcançar o primeiro estágio de santidade(16), ao ouvir o que o Buddha dizia. Todos os cinco companheiros foram então admitidos como monges da nova ordem então criada pelo Abençoado. 

O número de seguidores e convertidos aumentava, com a divulgação da mensagem de Buddha. Pessoas vinham de várias partes da Índia para conhecer Sua mensagem. Após o primeiro retiro da estação chuvosa, o Buddha enviou monges para diferentes direções, dizendo-lhes: "Ide, ó monges, com Compaixão pelos milhares; que dois monges não sigam pelo mesmo caminho!". Assim missionários foram postos em diversas direções, e o próprio Buddha partiu para Senani, para pregar o Dhamma.

  
  
  
  

 CAPÍTULO XI

    O Buddha pensou em visitar Rajagaha, o Reino do Rei Bimbisara, mas passou uma temporada em Senani. O Buddha havia prometido, ainda asceta, que voltaria a visitar o Rei quando se iluminasse. O Sublime explicou as Quatro Nobres Verdades ao Rei Bimbisara e este o ouviu com atenção. Por fim. Ele também atingiu o primeiro estágio de santidade (Sottapana). O Rei então doou uma bela área, cheia de mangueiras, para a Ordem budista. Bem mais tarde é que o Buddha e Seus discípulos aceitaram e ocuparam a área. 
Um outro evento importante foi a admissão na ordem de dois jovens, que eram devotos brâmanes: Upatissa (que recebeu o nome budista de Sariputta) e Kolita (que recebeu o nome budista de Moggallana). Estes dois eram grandes amigos e praticavam seus deveres religiosos a fim de descobrir a verdade da vida. Um prometera ao outro contar suas experiências, caso um deles descobrisse a verdade primeiro. Certa vez, um deles encontrou o monge Assaji, discípulo do Buddha, que pronunciava um discurso sobre a Doutrina. Ao ouvi-lo, Upatissa atingiu o primeiro estágio de santidade, e foi ter com Kolita, ensinando os mesmos versos que ouvira. Mais tarde, Kolita também logrou o primeiro estágio de santidade. Por fim, os dois foram ter com o Buddha, em busca de esclarecimentos. 
O Buddha logo viu qual era o nível mental deles e pregou de acordo. Eles tomaram-se discípulos, e a sabedoria e os poderes psíquicos que cada um desenvolvera, respectivamente, tomaram-nos bem conhecidos entre os membros da Comunidade budista (Sangha). Assim eles foram elevados à categoria de principais discípulos do Buddha.

  
  
  
  
  

 NOTAS

  (6)- Era costume na Índia antiga as pessoas proverem os ascetas errantes a sua alimentação. 
(7) - Estado de Vacuidade: onde se percebe a insubstancialidade dos fenômenos e a impessoalidade de todas coisas: assim tudo não tem em essência um ego permanente. Todas as coisas são "vazias" ou carentes de uma unidade eterna e imutável. 
(8) -  Estado da "não-percepcão, nem não-percepção": onde a consciência está suspensa e com ela temporariamente o sofrimento. Todos os estados acima descritos, o Buddha descobriu serem insatisfatórios. Faltavam a estes estados ou práticas a visão ativa e penetrante da Sabedoria. Da forma como Gotama foi ensinado, Ele só conseguia, no máximo, uma grande tranqüilidade. Seus instrutores eram meramente quietistas. 
(9) - Finalmente Ele descobriu que o verdadeiro mestre é o interno. 
(10) - Buddha comparou o Caminho do Meio às cordas de um instrumento que não dão bom som quando muito esticadas, ou quando estão frouxas demais. 
(11) -  Sabedoria é um conhecimento que não se acumula, mas se obtém com a vida e a prática. 
(12) -  As forças negativas na mente do asceta Gotama foram como demônios nessa Sua luta pela Iluminação. 
O Budismo diz que os demônios estão em nós mesmos A história da luta de Gotama com Mara é figurativa. 
(13) - Primeira:    a verdade da existência do sofrimento; 
Segunda:    a verdade da causa do sofrimento; 
Terceira:    a verdade da cessação do sofrimento, 
Quarta:      a verdade do Caminho que conduz ao fim do sofrimento. 
(14) -  Esses oito fatores estão presentes em nossa vida, só que de forma incompleta ou  superficial. Budismo é pôr a vida no lado positivo, cultivando esses Oito Fatores. A palavra páli "Samma" significa "correto", "completo" ou "total", que qualifica cada um dos fatores. 
(15) -  É o próprio deus Brahma quem pede a Buddha para deixar a indecisão de lado e pregar. Buddhainicialmente pensou que as pessoas não entenderiam Sua mensagem, mas depois viu que há pessoas em todos os níveis de compreensão. Resolveu pregar, por compaixão. 
(16) -  O primeiro estágio de santidade é aquele em que se venceu a ilusão do ego, o apego às regras espirituais.